quinta-feira, 17 de junho de 2010


"Referido sempre a seu próprio umbigo e sem poder enxergar um palmo além do próprio nariz, o sujeito da cultura do espetáculo encara o outro apenas como um objeto para seu usufruto. Seria apenas no horizonte macabro de um corpo a ser infinitamente manipulado para o gozo que o outro se apresenta para o sujeito no horizonte da atualidade"
(Mal-estar na atualidade, Joel Birman)



(vídeo ilustrativo)

video

terça-feira, 6 de abril de 2010

APOCALIPSE NOW

É engraçado essa onda apocalíptica que está rolando no mundo... É engraçado perceber que a sensação geral não é de medo mas de uma grande expectativa. Como quando passamos por um tumulto na rua e enquanto uma parte da cabeça pensa “espero que nada demais tenha acontecido” é possível sentir uma excitaçãozinha, uma parte da gente super torcendo que tenha acontecido uma coisa simplesmente gigantesca. Uma novidade que nos tire da rotina, que tire o mundo da rotina e nos una de forma espetacular.

É claro, não é o fim do mundo que nos toca, assim como não é a morte em si que nos apavora (pois é o nada!) mas os momentos que o antecedem. Momentos que se incluem em uma outra dimensão em relação a tudo que passamos na vida – desde o acontecimento mais banal ao mais incrível. Um mundo paralelo de fatos inimaginavelmente surpreendentes em âmbito global!

Sim, em âmbito global é um fator determinante aqui. É claro que o mundo tem que acabar em 2012. Só assim o apocalipse poderá ser acompanhado- tragédia após tragédia, de norte a sul, da Nicarágua ao Cazaquistão – em tempo real. Qual seria a graça de um apocalipse na idade média, por exemplo?! Não ia dar tempo nem de rezar, quando eles percebessem já estariam mortos.

Como seria este momento tão incrivelmente excitante? Não podemos ter certeza, apenas podemos imaginar...

As entranhas da terra emergirão confirmando que um ciclo de vida chega ao fim, como mais uma estrela que se apaga no infinito. Deus descerá dos céus numa nave intergalática e anunciará o fim: 4,3,2,1, NADA!

Não, não...

Deus aparecerá nos céus e finalmente contará a bela moral da história da nossa incrível jornada. O mundo acabará com 6 bilhões de pessoas de mãos dadas cantando “Imagine” – negros, mulatos, loiros e japas. Os governantes passarão seus últimos momentos reunidos em uma cúpula com os maiores cientistas vivos se empenhando apaixonadamente em achar um jeito de salvar o mundo. Chegará então uma tropa de ET´s evoluídos que querem nos dar uma chance e ajudar aos seres humanos! ÊBA!! Ôpa, peraí, que que é isso?! Acho que tão fuzilando os ET´s...! Que merda!..

Enquanto isso um pai afastado da família tenta se proteger do caos com a Dakota Fanning, quer dizer, com sua filha. Eles se abraçam com olhar afásico e aos poucos abandonam a necessidade de sentido. Pacientemente esperam o fim.